
Alexandre Frota na CPMI das Fake News, em 30 de outubro de 2019. Foto: Roque de Sá/Agência Senado.
Alexandre Frota participou da campanha de Jair Bolsonaro em 2018 e levou essa aliança para o Congresso. Em dezembro de 2022, ao ser entrevistado pela TV Folha, apontou a ajuda à eleição do presidente como seu maior arrependimento político.
A ruptura aconteceu em 2019. Críticas ao governo e disputas com antigos aliados desfizeram uma aproximação que havia dado a Frota destaque na direita bolsonarista. O deputado passou do apoio à oposição enquanto Bolsonaro ainda estava no primeiro ano de mandato.
A eleição oferece capital político a quem leva uma liderança às ruas, às redes e aos palanques. Frota participou dessa construção e chegou ao Congresso associado ao grupo que venceu em 2018. Ao se afastar, perdeu o abrigo de uma identidade coletiva que ajudava a organizar seu público e sua atuação.
Em outubro de 2019, já rompido com o presidente, prestou depoimento à CPMI das Fake News. O registro da Agência Senado mostra a mudança de posição institucional: um antigo aliado passou a colaborar com uma comissão que investigava a circulação de ataques e desinformação. A disputa saiu da propaganda de campanha e entrou no trabalho parlamentar de documentação.
A derrota eleitoral de 2022 teve, em seu relato, relação com essa perda de base. Romper exige reconstruir interlocutores e explicar a mudança a pessoas que conheceram o personagem por outra atuação. Para alguém eleito com uma marca política forte, a identificação anterior continua circulando depois que a aliança termina.
A resistência encontrada na transição da cultura acrescentou uma dificuldade diferente. Pessoas que haviam sido atingidas pelo campo político ao qual ele pertencera guardavam lembrança daquela participação. O afastamento de Bolsonaro abria uma conversa, mas a confiança dependia do que Frota dizia e fazia depois.
Há uma responsabilidade que acompanha quem ajudou a dar voz a um projeto autoritário. Reconhecer a participação permite discuti-la sem esconder o passado. Também impede que a ruptura seja tratada como simples troca de fotografia no palanque: o conteúdo defendido, os ataques promovidos e os efeitos públicos daquela adesão continuam sujeitos a cobrança.
Frota falou sobre o rompimento depois de uma derrota eleitoral. Não conseguira se eleger deputado estadual em outubro de 2022 e avaliava que o afastamento da base bolsonarista havia pesado no resultado. Associou a mudança de posição à perda de parte do apoio político que o levara ao Congresso.
Também enfrentou resistência ao se aproximar da equipe de transição do governo Lula na área cultural. Anunciado para colaborar com os trabalhos, desistiu. Segundo relatou, seu passado político e pessoal alimentava rejeições mesmo entre pessoas que agora estavam do mesmo lado da disputa.
Entre antigos aliados e novos interlocutores, Frota encontrou desconfiança. A passagem pelo bolsonarismo continuava sendo cobrada depois que ele se tornara crítico do movimento.
Seu arrependimento trazia, assim, uma responsabilidade pública: ele havia ajudado a fortalecer o projeto do qual se afastara. Ao falar à TV Folha, reconheceu essa participação e descreveu as perdas que acompanharam a ruptura.
Fontes consultadas (2)
Roque de Sá/Agência Senado. Origem da imagem · Licença · Recorte para a capa. Imagens e transparência · Metodologia
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