
Paulo Marinho na CPMI das Fake News, em 10 de dezembro de 2019. Foto: Roque de Sá/Agência Senado.
Paulo Marinho foi um dos principais apoiadores de Bolsonaro em 2018 e abriu sua casa à campanha. Em 10 de outubro de 2022, apareceu num evento de Lula e declarou que apoiava o petista para retirar do poder o presidente que ajudara a eleger.
O empresário havia ocupado uma posição de confiança no núcleo da candidatura. Também era suplente de Flávio Bolsonaro no Senado. A ruptura atingia, portanto, uma relação construída dentro da estrutura política da família.
À Folha de S.Paulo, descreveu a escolha anterior como uma dívida que procurava reparar. Informou que já votara em Lula no primeiro turno e repetiria o voto no segundo. O apoio se tornou uma manifestação pública de arrependimento, diante de uma disputa em que seu antigo aliado buscava a reeleição.
A passagem do anfitrião de uma campanha para o evento do adversário expunha a perda de confiança de alguém próximo. Marinho conhecera o cotidiano da aliança e participara de sua organização. Seu afastamento vinha dessa experiência, além da avaliação pública do mandato.
Campanhas dependem de pessoas que oferecem acesso, estrutura, relações e recursos. Essas contribuições ajudam uma liderança a ganhar alcance e aparência de viabilidade. O trabalho de quem atua nos bastidores também participa da responsabilidade pela força política construída.
A palavra penitência, usada pelo empresário, colocava o voto anterior nessa dimensão. Ele reconhecia sua participação em 2018 e decidia agir na disputa seguinte. O arrependimento deixava de ser apenas uma avaliação íntima e passava a orientar uma escolha pública.
Romper uma aliança desse tipo exige enfrentar a memória dos próprios gestos. A casa, os encontros e o lugar ocupado na campanha continuam conhecidos. A nova decisão é julgada ao lado dessa história, e a confiança dos outros depende do que a pessoa faz depois do afastamento.
Marinho não era um observador externo descrevendo o governo de longe. Sua trajetória fazia parte da rede que sustentara a candidatura. O rompimento mostrava que o acesso pessoal à liderança também podia produzir desencanto, em vez de fidelidade permanente.
Em 2022, a reparação que anunciou tomou a forma de apoio ao adversário eleitoral de Bolsonaro. O empresário transferiu sua atuação para uma alternativa concreta e deixou registrado que a aliança de 2018 havia perdido, para ele, a justificativa de continuar.
Fontes consultadas (1)
Roque de Sá/Agência Senado. Origem da imagem · Licença · Recorte para a capa. Imagens e transparência · Metodologia
← Voltar para Figuras públicas