
O Comitê de Supervisão publicou nesta terça-feira, 20 de outubro, uma cobrança pública à Meta pelo bloqueio de contas de anúncios de Luiz Inácio Lula da Silva. O órgão independente que revê decisões de moderação da empresa norte-americana identificou aplicação excessiva das regras contra fraude e afirmou que o caso deveria ter chegado a uma equipe de revisores especializados.
A manifestação acrescenta uma avaliação externa à disputa levada pela coligação de Lula ao Tribunal Superior Eleitoral. Segundo a cobertura da AFP, o comitê apontou falhas graves tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, onde a conta do movimento No Kings foi temporariamente removida. A Meta atribuiu esse segundo episódio a um erro automatizado.
Bloqueio exige análise especializada
No comunicado, os copresidentes do comitê alertam que erros de aplicação das regras podem suprimir o discurso político, enquanto a falta de fiscalização ameaça a integridade das eleições. O documento cobra práticas transparentes e consistentes e tratamento que considere idioma, contexto e nuances da expressão política.
Para a campanha de Lula, a consequência concreta de uma restrição indevida é perder tempo de divulgação na reta final do segundo turno. Anúncios dependem da autorização da plataforma para circular. Uma correção tardia pode restabelecer a conta sem devolver os dias de contato com os eleitores. Essa é a dimensão democrática do problema: decisões de uma empresa privada interferem nas condições de participação política.
Advertência retoma falhas da eleição de 2022
Em 22 de junho de 2023, o mesmo comitê reverteu a decisão original da Meta de manter um vídeo com apelos à invasão de instituições brasileiras. O conteúdo havia sido publicado antes do 8 de Janeiro. Naquela decisão, recomendou uma estrutura de avaliação da atuação eleitoral da empresa, com métricas públicas de resultado.

