
A Polícia Federal cumpriu nesta segunda-feira, 19 de outubro, um mandado de busca e apreensão contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça. A Operação Linceu apura suspeita de acesso indevido a informações de processos da Corte. Reportagens do UOL e da Folha identificam Willer Tomaz, advogado próximo de Flávio Bolsonaro, como destinatário dos supostos repasses.
O comunicado oficial da PF confirma um mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal no Distrito Federal. A corporação investiga possíveis crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A nota não divulga os nomes dos envolvidos nem o conteúdo do relatório policial citado pelas reportagens.
Foto de minuta está entre os elementos investigados
Segundo apuração de Natália Portinari e Fabio Serapião, do UOL, baseada em relatório da PF, Pradera enviou a Willer uma fotografia de decisão ainda sem assinatura da ministra Nancy Andrighi, em outubro de 2024. O caso tratava da disputa entre J&F e Paper Excellence pelo controle da Eldorado Celulose. O jornal relata que a foto antecedeu a assinatura e a publicação oficial.
A Agência Estado, em reportagem reproduzida pelo UOL, informa que o relatório descreve uma imagem da tela de um computador com documento jurídico de 17 páginas. Também registra conversas nas quais Pradera explicaria ao advogado o conteúdo e os efeitos da decisão. A autorização para a busca foi dada por Alexandre de Moraes, segundo as reportagens.
Uma minuta é um texto em preparação. Seu acesso antes da formalização pode revelar a uma parte o rumo de um julgamento e permitir que ela ajuste sua estratégia. A investigação procura estabelecer se os contatos descritos envolveram acesso indevido e favorecimento, inclusive no uso de informações internas do tribunal.

