
“Não posso mais me calar.” Foi com essa frase que Marcella Marques, empreendedora e fundadora da Z7 Filmes, abriu um relato sobre a própria trajetória política no Instagram, no perfil @smarcella_m. Depois de apoiar Jair Bolsonaro, decidiu rever sua escolha e tornar pública a mudança. Nos registros enviados ao Voa Lula, ela fala de consciência, desigualdade, direitos sociais e da recusa em continuar defendendo uma posição apenas para proteger o próprio orgulho.
Em uma das publicações, datada de 9 de outubro, conta que se identificava com Lula desde criança por sua atenção às desigualdades. Mais tarde, apostou em Bolsonaro pela alternância de poder e pela promessa de combate à corrupção. A expectativa que sustentou aquele apoio deixou de convencê-la diante do que passou a observar.
A promessa que deixou de convencer
Seu relato descreve um processo de questionamento. Ela diz que decidiu estudar, ouvir posições diferentes e confrontar as próprias convicções com a realidade. Nesse percurso, passou a enxergar contradições entre o discurso que havia apoiado e a conduta dos personagens que o representavam.
Ao explicar o afastamento, cita o que considera mentiras, manipulação e negacionismo. Também manifesta preocupação com as relações políticas de Flávio Bolsonaro e com propostas que afirma ter analisado. Essas avaliações integram seu testemunho e ajudam a compreender as razões pessoais da ruptura.
A mudança ganhou um registro visual direto: diante de uma bandeira brasileira, vestindo a camisa da seleção, ela apareceu sorrindo e fazendo o L. Na imagem publicada em seu perfil, assumiu que havia “virado a casaca”. A expressão, tantas vezes usada como acusação, foi incorporada por ela para contar uma decisão de consciência.
Os direitos sociais entraram na avaliação
Ao olhar para os governos Lula e Dilma, Marcella escreveu que reconheceu a importância de políticas como Bolsa Família, ProUni, expansão das universidades federais, Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos e Farmácia Popular. Também mencionou o SUS. Sua avaliação passou a considerar o alcance desses serviços na vida de pessoas com condições diferentes das suas.
