
A coalizão Vida em Conta apresentou dez propostas para o próximo governo que incluem elevar a tributação dos super-ricos e criar um fundo nacional para ampliar a gratuidade no transporte coletivo. A agenda foi divulgada nesta terça-feira, 20 de outubro, pela Agência Brasil. Segundo a reportagem, o documento será levado às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, que disputam o segundo turno.
Articulada pela Plataforma CIPÓ e pelo Transforma, a iniciativa reúne economistas e organizações da sociedade civil. O novo texto, datado de outubro de 2026, transforma as diretrizes lançadas em setembro em medidas mais concretas. A coalizão reconhece a recuperação de políticas públicas desde 2023 e defende que esse caminho seja aprofundado.
Quem tem mais renda deve contribuir mais
No documento original, a proposta tributária prevê aumentar a alíquota mínima efetiva do Imposto de Renda dos super-ricos, combater a evasão e rever privilégios fiscais. Também pede proteção à simplificação dos pequenos negócios, sem incentivar a transformação artificial de empregos em contratos entre empresas, a chamada pejotização.
A diferença importa para quem vive do salário. Uma cobrança concentrada no consumo alcança também quem precisa gastar quase tudo com necessidades básicas. Dar maior peso à renda e ao patrimônio no topo da distribuição permite discutir outra divisão da conta dos serviços públicos, em vez de repassá-la automaticamente ao consumidor.
Essa discussão tem uma base histórica na Constituição de 1988: o artigo 145 determina que os impostos sejam graduados, sempre que possível, conforme a capacidade econômica do contribuinte. A reforma constitucional de 2023 acrescentou a justiça tributária e a redução dos efeitos regressivos como referências para o sistema. A disputa atual envolve transformar esses princípios em regras e arrecadação.

