Xeque-mate
Flávio Bolsonaro recebeu de Lula uma oferta que qualquer candidato convencido das próprias acusações deveria aproveitar correndo: colocar as contas na mesa. O presidente se dispõe a autorizar o acesso aos seus dados e aos de familiares e cobra a mesma atitude do adversário. Para quem passou o debate apontando o dedo, apareceu uma oportunidade de trocar a acusação pela demonstração.
A ironia é generosa. Se Flávio tem tanta segurança sobre a corrupção que atribui a Lula e sobre a própria honestidade, o desafio lhe oferece o palco perfeito. Pode aceitar a comparação, apresentar os documentos e sustentar o discurso diante de uma cobrança que vale para os dois lados. Lula praticamente lhe entregou o roteiro. Falta a assinatura.
Lula oferece a mesma lupa para as duas famílias
O desafio surgiu no debate da Band de domingo, 18 de outubro. Lula propôs a abertura dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares, com encaminhamento das informações à Justiça antes do segundo turno.
Nesta segunda-feira, 19, o presidente voltou à cobrança nas redes sociais e anunciou que prepararia procurações para autorizar o acesso aos próprios dados e aos dos filhos, condicionado à reciprocidade do adversário. Mais tarde, em agenda de campanha no Rio Grande do Sul, afirmou que entregaria ao Tribunal Superior Eleitoral um documento de autorização, segundo o Metrópoles.
O movimento tira de Flávio uma comodidade da campanha: exigir explicações do outro enquanto escolhe quanto pretende explicar de si. Lula colocou sua família dentro da proposta e chamou a família Bolsonaro para o mesmo exame. Quem faz da transparência uma bandeira ganhou uma ocasião bastante concreta de carregá-la.
A coragem ficou na resposta, a autorização ainda não

